Insulina que vem da pele
No futuro, o controle da glicemia e a produção de insulina poderão ser feito por células modificadas, implantadas na pele do próprio paciente diabético. Além de ser mais acessível, a pele é um local mais protegido de ameaças que podem matar as células, como o sistema imunológico ou as enzimas do pâncreas. No momento, diferentes grupos de pesquisa buscam alcançar esse objetivo com metodologias diferentes, sendo que três grupos apresentaram resultados nos últimos três meses.

Uma estratégia consiste em realizar transplantes subcutâneos de células beta pancreáticas, produtoras de insulina. Na pele, porém, não há irrigação sanguínea para levar oxigênio até essas células. Para contornar o problema, cientistas do IBBE, no Canadá, usaram a engenharia genética para desenvolver um tecido, formado por colágeno e células da pele, capaz de desenvolver vasos sanguíneos que se integram à circulação do corpo. O transplante, feito em ratos com diabetes tipo 1, conseguiu manter o controle da glicemia durante 21 dias.  

Na Universidade de Bergen, na Noruega, cientistas transformaram as células da pele de pacientes diabéticos em células capazes de produzir insulina, usando técnicas de células tronco. Como as células vêm do próprio paciente, não há problema de rejeição. Mas, elas ainda não são maduras o suficiente para o transplante.
 

Ao invés da insulina, hormônios que estimulam a secreção da insulina no pâncreas, como o GLP1, poderão ser produzidos na pele – abordagem adotada na Universidade de Chicago. Usando a técnica de edição genética CRISPR, os cientistas produziram um enxerto capaz de produzir o hormônio em ratos.
 

Outra possibilidade é modificar bactérias que já vivem na pele. No Instituto Craig Venter, cientistas descobriram bactérias que vivem na parte mais profunda da pele, onde há vasos sanguíneos para mantê-las vivas. Eles pretendem modificar geneticamente as bactérias, que já estão adaptadas à pele e não são atacadas pelo sistema imune.  

Todas essas abordagens ainda enfrentam desafios significativos, e algumas estão apenas em fase inicial. Mas, representam uma esperança de um tratamento melhor e mais eficaz para milhões de pessoas com diabetes.